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Contos Amazônicos

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Publicado em 1893, Contos Amazônicos reúne nove narrativas que se tornaram um dos retratos mais marcantes da Amazônia na literatura brasileira, sendo frequentemente apontado como a obra mais significativa do autor paraense Inglês de Sousa, um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Entre o rigor do Naturalismo – com descrições minuciosas, olhar quase “documental” e atenção ao ambiente e aos costumes – e o fantástico amazônico, trazendo a força do imaginário popular, o livro encena uma Amazônia em que o cotidiano ribeirinho convive com o insólito: canto de mau agouro, feitiçarias, seduções e encantamentos atravessam histórias de amor, medo e violência.

Essas narrativas não são apenas lendas: nelas aparecem, com dureza, as tensões do Brasil oitocentista, como a denúncia do recrutamento forçado para a Guerra do Paraguai e os ecos de conflitos políticos que marcaram a região. Em tom de “causos” contados e recontados, a obra preserva a oralidade e dá voz a um mundo moldado por rios, floresta e disputa social. Um clássico que, além de literatura, é memória viva de um país profundo.

Confira os contos presentes no livro:

O Voluntário: Rosa, uma tapuia que vive às margens do rio com o filho Pedro, vê a tranquilidade do cotidiano ser destruída quando o recrutamento para a Guerra do Paraguai chega à região. Pedro é capturado à força, e a tentativa de salvá-lo pela via legal esbarra na brutalidade e nas manobras do poder local. O conto expõe a violência do “voluntariado” imposto e o desespero de uma mãe diante do Estado.

A feiticeira: O tenente Antônio de Sousa, orgulhoso de seu “espírito forte”, ridiculariza as crenças do povo e decide afrontar a temida Maria Mucoim, conhecida como feiticeira. Ao se aproximar dela e provocá-la, ele entra numa sequência de acontecimentos inquietantes, em que medo e superstição passam a disputar a sua razão. É um embate entre arrogância e mistério, onde a mata parece responder.

Amor de Maria: Mariquinha ama Lourenço com intensidade, mas o ciúme e a insegurança a corroem quando percebe o comportamento volúvel do rapaz. Buscando prender o amor, ela recorre a um “remédio” popular feito de tajá, sem saber (ou sem aceitar) o perigo. A tentativa de garantir um destino feliz termina em tragédia e transforma a história em lenda.

Acauã: Após uma noite estranha, o capitão Jerônimo encontra uma criança à deriva numa canoa e a cria como filha, ao lado de Aninha, sua menina legítima. Com o tempo, a presença da adotada, Vitória, ganha contornos perturbadores, enquanto Aninha definha, como se estivesse sob um domínio invisível. O terror se revela por completo quando o canto agourento do acauã sela o destino das personagens.

O donativo do Capitão Silvestre: Em clima de patriotismo e alarde político, a comunidade se mobiliza para arrecadar donativos em nome da “defesa do Império”. O capitão Silvestre é pressionado a contribuir e, quando enfim faz sua oferta, todos acreditam ter conquistado um grande triunfo. A reviravolta mostra que o “donativo” pode esconder intenções bem mais perigosas do que parecem.

O gado do Valha-me-Deus: Domingos Espalha insiste que há gado perdido e misterioso na região do Valha-me-Deus, onde poucos se atrevem a entrar. Ele e Chico Pitanga tentam capturar uma vaca mansa demais para ser normal, mas o episódio toma um rumo sinistro. A busca seguinte, guiada por rastros e sons noturnos, termina diante de uma serra proibida – e do medo de atravessar um limite sem volta.

O baile do Judeu: Um homem conhecido como “o judeu” anuncia um baile, e a vila inteira comparece, curiosa e desconfiada. No auge da festa surge um dançarino sedutor, que atrai olhares e arrasta corações, mas carrega um segredo. Quando o disfarce cai, a noite ganha um tom de assombro e revela a presença do boto encantado entre os humanos.

A quadrilha de Jacó Patacho: A região vive sob pânico por causa da quadrilha de Jacó Patacho, marcada por assaltos e violência. Numa noite decisiva, o bando ataca uma casa e o confronto explode em brutalidade, deixando um rastro de morte e devastação. O conto mostra a fragilidade da vida na beira do rio diante da lei do mais forte.

O rebelde: O narrador recorda a amizade com Paulo da Rocha, um velho pernambucano carregando a marca de ter participado da Revolução de 1817 e, por isso, ser odiado e perseguido. Em meio à violência da cabanagem, Paulo faz escolhas difíceis e humanas, recusando a crueldade e tentando proteger um inocente. Anos depois, a história culmina no reencontro com o “rebelde” já vencido e num desfecho amargo, de perdão tardio e morte.

 

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Cuide bem do seu amor… seja quem for

Por Financiamentos

Há amores que chegam como tempestades e outros que nascem no silêncio. Têm aqueles que resistem ao tempo, que se perdem na distância, que ardem, que se apagam e renascem em outro olhar, em outro corpo, em outra vida.

Inspirados nas canções de amor d’Os Paralamas do Sucesso, estes contos percorrem as muitas formas de amar: o encontro e o desencontro, a ternura e o desejo, o arrependimento e o perdão. Em cada história ecoa uma melodia conhecida, Aonde Quer Que Eu VáMeu ErroLanterna dos AfogadosQuase um Segundo entre outras, traduzida agora em palavras que dançam no ritmo do coração.

Nesta antologia, os autores transformam versos em enredos, emoções em personagens, lembranças em literatura. O resultado é uma obra que fala de todos nós, porque, no fim, cuidar do amor é o que mantém acesa a lanterna em meio à escuridão.

Cuide bem do seu amor… seja quem for.

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Paralisia do sono

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Quando o corpo dorme, os monstros acordam.

Em todo o mundo, culturas diferentes deram nomes ao mesmo horror noturno. No Brasil, fala-se da Pisadeira, a velha que sobe no peito dos adormecidos. Na Inglaterra, temem a Old Hag, a bruxa que sufoca suas vítimas. Entre os povos nórdicos, o pesadelo vem do Mare, espírito que deu origem à palavra nightmare. No Japão, é o Kanashibari, a força invisível que prende o corpo. Já na Europa medieval, eram os íncubos e súcubos, demônios que se aproveitavam dos indefesos durante o sono.

Todos esses nomes apontam para a mesma experiência aterradora: a paralisia do sono, o instante em que a mente desperta, mas o corpo permanece imóvel, vulnerável a presenças sombrias que parecem mais reais do que um simples sonho.

Nesta antologia, cada conto abre uma nova porta para esse pesadelo ancestral. Mas cuidado: ao virar estas páginas, talvez você descubra que não está sozinho na escuridão.

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Carmilla

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Carmilla, a vampira de Karnstein, de Sheridan Le Fanu, é uma novela gótica publicada em 1872 e um dos marcos fundadores da literatura de vampiros, anterior a Drácula e decisiva para moldar o imaginário do gênero. Em prosa elegante e atmosférica, Le Fanu combina isolamento, sonho e desejo para criar um relato que oscila entre o terror sutil e a sedução, com forte subtexto romântico. A obra discute a vulnerabilidade feminina na Europa do século XIX, a inquietante presença do “estranho” dentro do lar e a tênue fronteira entre doença, obsessão e sobrenatural.

A narrativa é conduzida por Laura, uma jovem que vive com o pai numa propriedade em meio a uma extensa floresta na Estíria. Após um misterioso acidente de carruagem, eles acolhem a enigmática Carmilla, cuja beleza hipnótica e comportamento excêntrico logo cativam a anfitriã. À medida que a amizade se aprofunda, estranhos presságios, sonhos sufocantes e uma série de enfermidades abatem as moças da região.

O círculo de Laura vai se fechando em torno de pistas, lendas locais e relatos de um general atormentado, até que a identidade de Carmilla e a natureza de sua sede – tanto de sangue quanto de afeto – emergem, lançando Laura numa investigação que confronta superstição e razão, desejo e perigo. O resultado é um clássico sombrio, de leitura breve e inesquecível, que inaugura uma linhagem de vampiras tão arrebatadoras quanto ameaçadoras.

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A origem do Chapeleiro

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Muito antes do chá interminável, do relógio derretido e das charadas que se desmancham no ar, havia apenas um homem – ou seria um menino? – dançando na tênue fronteira entre a razão e o delírio. Em A Origem do Chapeleiro, mergulhamos em um redemoinho de memórias partidas e realidades desconexas, buscando as raízes de quem se tornaria o mais excêntrico anfitrião do País das Maravilhas.

Dizem que os chapeleiros enlouqueciam pelo mercúrio, inalado em fábricas onde o ar cheirava a metal e febre. Mas e se não for só isso? E se a loucura for uma vertigem do tempo, um espelho que se abre em outra dimensão, um convite sussurrado por um coelho que sangra horas? Ele nasceu no absurdo ou o absurdo nasceu dele?

Nesta antologia, cada conto é um gole de chá amargo e alucinante: fábricas sufocantes, criaturas que falam ao contrário, portas que levam a lugar nenhum, e decisões que derretem a sanidade como açúcar na água quente. Afinal, toda mente estilhaçada tem um começo, e esta é a origem do Chapeleiro.

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Acordes no centro da capital

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Aqui, o rock não é trilha, é faísca. Em Acordes no centro da capital , Clara, uma jovem trabalhadora da Freguesia do Ó, que atravessa madrugadas de ônibus com fones no ouvido, encontra no lixo de um hospital um cartão metálico com uma mensagem enigmática: “onde a música nunca para”. A pista a conduz ao coração do Brás e ao estúdio improvisado de Gabriel, um luthier autodidata e compositor que assina, nas sombras, a trilha sonora que embala seus dias. O encontro resulta em um choque de olhares, de guitarras e de destino.

Quando a gigante Álgos decide apagar do mapa o edifício histórico que abriga o estúdio, a cidade vira campo de batalha: pedras atravessam janelas, o fogo tenta calar os amplificadores, mas o refrão da resistência só aumenta em volume. De braços dados com Maura, mãe de Gabriel, Clara transforma medo em ação: abaixo-assinado, show na cobertura, cortejo elétrico pelo centro etc., até fazer tremer o concreto e comover vizinhos, coletivos e a própria memória de São Paulo.

Este livro é a vibração de um pós-punk com alma brasileira que desafia o silêncio. Uma história de afeto, coragem e pertencimento, inspirada na canção “Invisível DJ”, do IRA!, para leitores jovens – de idade ou espírito – que acreditam que um riff bem tocado pode, sim, mudar o rumo de uma cidade.

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O outro Eu

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Dizem que, em algum lugar, todos temos um duplo: alguém com o seu rosto, sua voz, sua maneira de andar. Mas… e se esse outro você soubesse da sua existência? E se ele observasse cada passo que você dá, esperando o momento certo para tomar o que é seu: sua vida, seus afetos, sua identidade?

Em O outro Eu, a realidade se distorce no reflexo do espelho. Esta antologia reúne histórias que mergulham na inquietante presença dos doppelgängers, termo de origem alemã que se refere à aparição ou manifestação de um duplo de uma pessoa viva, frequentemente associado a presságios de má sorte ou morte. Uma figura que pode assombrar sua contraparte carnal, muitas vezes sendo vista como uma cópia maligna.

Contos que exploram a duplicidade da alma, a fragilidade do “eu” e os horrores que surgem quando somos confrontados com aquilo que mais tememos: nós mesmos.

Prepare-se para narrativas que transitam entre o psicológico, o fantástico, o sombrio e o existencial. Porque, às vezes, o maior perigo não vem de fora… mas de dentro.

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Sussurros de pedra

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Um dia, a floresta se ergueu e engoliu tudo em seu caminho.

Estradas desapareceram, cidades se dobraram ao poder implacável das folhas, e a comunicação, tal como era conhecida, se perdeu.

Em Fronteira, último reduto humano cercado pela mata, nada é o que parece: cada sombra pode ocultar um aliado secreto ou denunciar alguém à Vigília, a facção que, sob a máscara da proteção, dita as regras com mão de ferro desde o Levante da Floresta, quando os Folclóricos revelaram sua existência ao mundo.

É nesse território instável que cresce Eloá, órfã do Pequenos Sussurros, onde sua própria existência é vista como heresia. Suas escapadas além da Muralha a colocam diante de horrores e revelações: uma relíquia sagrada roubada, a Pedra da Lua.

Entre conspirações da Vigília, rituais proibidos e o sussurro das raízes que avançam sobre a pedra, Eloá descobrirá que sua vida está ligada ao destino de dois mundos.

Em um lugar onde a verdade é moldada como pedra e o silêncio pode ser mortal, resta perguntar: até onde alguém suportaria ir para proteger um segredo… ou destruí-lo?

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O Príncipe Feliz

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Nesta edição, os dois livros de contos de fadas de Oscar Wilde se encontram em um só volume para encantar leitores de todas as idades. Publicadas originalmente em 1888 ( The Happy Prince and Other Tales ) e 1891 (A House of Pomegranates), essas histórias unem beleza, humor e compaixão para falar de amizade, sacrifício, vaidade e redenção – fábulas luminosas que continuam atuais e inesquecíveis.

Do príncipe de ouro que descobre o valor da generosidade à andorinha que desafia o frio por amor; do gigante que aprende a dividir ao foguete que só pensa em brilhar; do jovem rei que questiona a própria coroa à criança-estrela que precisa reaprender o que é ser humano – Wilde transforma cada conto em uma parábola afetiva e afiada, feita para tocar e fazer pensar.

Leitura perfeita para pais, educadores e amantes da boa literatura, O Príncipe Feliz e outros contos infantis celebra a imaginação e a empatia – lembrando que, por trás do brilho das histórias, há sempre um coração que aprende a ver o outro.

Confira os contos presentes nesta edição:

  • O Príncipe Feliz ( The Happy Prince);
  • O Rouxinol e a Rosa ( The Nightingale and the Rose);
  • O Gigante Egoísta ( The Selfish Giant);
  • O Amigo Dedicado ( The Devoted Friend);
  • O Rojão Estraordinário ( The Remarkable Rocket);
  • O Jovem Rei ( The Young King);
  • O Aniversário da Infanta ( The Birthday of the Infanta);
  • O Pescador e Sua Alma ( The Fisherman and His Soul);
  • A Criança-Estrela ( The Star-Child)

 

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A maldição do Lobisomem

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A pior parte da maldição não é virar fera, mas acordar sem se lembrar do que aconteceu na noite anterior.

Quando a lua cheia se impõe no céu, não há esperança ou oração que contenha o que desperta. Ossos se partem, a pele rasga, a mente se apaga e o homem deixa de existir, restando apenas a besta.

O lobisomem não pensa: ele uiva, caça e mata, deixando rastros de sangue e perguntas sem respostas. Tanto faz a sua origem: se foi mordido por outro licantropo, se fez um pacto com o demônio ou se herdou a maldição por ser o sétimo filho; o fim é sempre o mesmo: mortes em série e a culpa cravada na alma do monstro adormecido.

A Maldição do Lobisomem mergulha no horror da transformação, no medo de perder a própria alma e no destino trágico daqueles que carregam dentro de si o monstro que jamais dorme.

Quando a lua cheia surge, a maldição não afeta apenas as vítimas que tiveram as vidas ceifadas pela fera; afeta também a alma atormentada do lobisomem.

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