Categoria

Financiamentos

Quarto 217

Por Financiamentos

Nas montanhas de Petrópolis, onde a névoa densa costuma apagar o mundo ao redor, o Hotel Imperial ergue-se como uma relíquia em 1909. Por trás de seus salões de mármore, lustres de cristal e corredores silenciosos, a hospitalidade esconde um alto preço.

O coração desse mistério bate no quarto 217. Ali, o tempo não flui da mesma forma. Relatos atravessam décadas: uma antiga camareira que ainda insiste em arrumar os pertences dos hóspedes; risadas infantis que ecoam pelos corredores vazios durante a madrugada; notas melancólicas de um piano que toca sozinho no salão de música, como se dedos invisíveis ainda percorressem suas teclas.

No quarto 217, a privacidade é uma ilusão. Há quem acorde com a sensação de estar sendo observado; quem encontre objetos fora do lugar; quem escute passos vindos de dentro do armário. É um lugar onde as memórias ganham corpo, as paredes guardam segredos e o silêncio pode ser interrompido por alguém que nunca fez o check-out.

Nesta antologia, abrimos as portas de um hotel secular para revelar o que acontece quando a luz das velas vacila, a névoa sobe a serra e a música começa a tocar sozinha. O registro de hóspedes está aberto. Você se atreve a subir ao segundo andar?

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

Zofloya, ou O Mouro

Por Financiamentos

Publicado em 1806, Zofloya, ou O Mouro é um dos pilares mais perturbadores do gótico inglês. Em uma Veneza do século XV, onde o esplendor dos palácios oculta crimes e intrigas, Charlotte Dacre tece uma narrativa visceral sobre desejo, transgressão e a inexorável queda moral.

No centro desta teia está Victoria di Loredani, uma jovem de beleza altiva e natureza impetuosa. Longe da donzela frágil típica da literatura gótica, Victoria é movida pela ambição, pelo ciúme e por uma sede de vingança que beira a loucura. Quando seus desejos colidem com a figura enigmática de Zofloya – o mouro de presença sedutora e profundamente inquietante –, a fronteira entre a tentação, o crime e a ruína moral começa a se desfazer.

À medida que Victoria se entrega às próprias obsessões, o romance mergulha em um pesadelo onde a beleza caminha de mãos dadas com o horror. Entre venenos, traições e pactos silenciosos com o mal, Dacre esculpe uma das protagonistas mais fascinantes e monstruosas da literatura.

Ousado para sua época, o livro Zofloya desafia as convenções morais e literárias do século XIX, apresentando uma mulher que não apenas é seduzida pelas trevas, mas escolhe avançar em direção a elas. Um clássico sombrio, excessivo e hipnótico, em que o desejo se transforma em condenação.

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

A menina que sabia os finais

Por Financiamentos

Na calmaria da biblioteca escolar, Gabriela descobre que suas mãos guardam um segredo: basta um toque na capa de qualquer livro para que ela saiba como cada história termina. O que nasce como um truque fascinante, capaz de atrair a atenção dos colegas, logo começa a revelar contornos mais densos. A precisão de suas revelações traz um desconforto silencioso pelos corredores, como se cada tragédia ou final feliz já estivesse gravado em sua pele antes mesmo de ser lido.

O ponto de não retorno acontece quando Vera, a bibliotecária, num misto de ceticismo e desafio, oferece o próprio braço e pede que a garota preveja o seu final. A resposta sai com a mesma naturalidade de sempre, mas o desfecho é implacável: três dias depois, a mulher morre em um acidente de carro. De repente, o que parecia apenas um jogo se converte em lenda urbana, espalhando uma aura de medo pela escola e dividindo as pessoas entre aquelas que fogem da menina e as que a perseguem, ansiosas por conhecer o próprio destino.

Gradualmente, isolada e sob o peso de suas próprias palavras, a garota se vê prisioneira de uma dúvida aterradora. O toque, antes impulsivo, torna-se uma ameaça constante, e o dom se transforma em uma maldição insuportável. Em meio ao pânico que a cerca, ela precisa enfrentar a pergunta que a consome no escuro: seria ela apenas uma espectadora amaldiçoada a prever tragédias ou, ao dar voz aos finais, é ela quem está sentenciando essas pessoas à morte?

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

O Manual Secreto dos Gatos

Por Financiamentos

Há milhares de anos, nos templos do Egito Antigo – quando os gatos eram tratados como as divindades que claramente ainda são –, foi redigido um documento que jamais deveria cair nas mãos de quem usa polegares opositores: O Manual Secreto dos Gatos.

Transmitido de geração em geração através de miados estratégicos, esse texto reúne séculos de observações ácidas e táticas de manipulação sobre aquela espécie bípede que insiste na doce ilusão de que é a dona da casa: os humanos. Desde então, felinos do mundo inteiro seguem essas diretrizes sagradas, aprendendo a arte de recrutar o “abridor de latas” ideal, como reivindicar o sofá inteiro para si, como exigir um banquete às três da manhã ou como sustentar um olhar de puro desdém após arremessar um vaso caro no chão.

Uma vez por mês, em convenções clandestinas nos telhados, becos ou naquela janela estrategicamente protegida por tela, os agentes felinos se reúnem para trocar figurinhas e refinar sua hegemonia. Neste livro, finalmente interceptamos as crônicas narradas por gatos que revelam o que realmente pensam de nós, seus planos de dominação doméstica e os segredos da vida sob quatro patas. Tudo aquilo que, por milênios, eles esconderam debaixo do tapete, ou melhor, da areia.

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

A Sociedade das Bruxas da Serra do Mar

Por Financiamentos

Nas montanhas úmidas e isoladas da Serra do Mar, Serena cresceu cercada pela névoa, pelo silêncio da mata e pelos segredos sombrios da própria família. Aos doze anos, vivendo em um sítio afastado com a mãe instável e o padrasto de intenções perturbadoras, ela aprende cedo que existem horrores muito piores do que as lendas contadas ao pé do fogão. Mas, na noite em que foge pela mata para salvar a própria vida, algo desperta dentro dela.

Pesadelos passam a anunciar acontecimentos reais. Animais parecem obedecer à sua presença. Sombras observam das florestas. E antigos sussurros sobre uma linhagem de mulheres amaldiçoadas voltam a ecoar entre as montanhas.

Dizem que a bisavó de Serena trouxe da Itália um conhecimento proibido; que existiu, escondida na Serra do Mar, uma sociedade de bruxas; e que toda mulher daquela família carrega algo sombrio no sangue. Entre traumas, rituais, violência e mistérios ancestrais, Serena precisará descobrir se está destinada a se tornar vítima… ou herdeira de um poder capaz de consumir tudo ao redor.

Um romance de terror psicológico e bruxaria brasileira que mistura tensão, folclore, horror rural e o peso brutal dos segredos de família.

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

Incidente em Varginha

Por Financiamentos

Naquela tarde, algo que não deveria existir foi avistado em um terreno baldio de Varginha. O relato é simples demais para ser confortável: uma criatura acuada e ferida, observada por pessoas comuns, seguida por movimentações atípicas e um silêncio que se espalhou tão rápido quanto os boatos.

Estas páginas retornam ao incidente, revisitando os dias seguintes ao avistamento, as versões fragmentadas do ocorrido, para imaginar o que pode ter acontecido quando o desconhecido cruzou a rotina do interior mineiro. Não há explicações grandiosas, nem invasões espetaculares. Em vez disso, a ficção surge do contato direto, imperfeito, entre humanos e algo que não compreendemos.

Aqui exploramos consequências discretas e inquietantes: corpos que reagem de maneira inesperada, decisões tomadas às pressas, tentativas falhas de comunicação e o amadorismo das autoridades. O mistério permanece, mas ganha densidade humana, científica e narrativa.

Ao reunir diferentes perspectivas sobre o mesmo evento, Incidente em Varginha transforma um episódio controverso da história brasileira em uma antologia que prefere a dúvida ao espetáculo. Um livro para quem sabe que o que mais assusta não é o que vemos, mas o que não conseguimos explicar.

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

Rei Negro

Por Financiamentos

Publicado originalmente em 1914, Rei Negro, de Coelho Netto, é um clássico da literatura brasileira que mergulha nas tensões da sociedade escravocrata para construir uma narrativa de paixão, violência, honra e vingança. Ambientado em uma fazenda do Vale do Paraíba, o romance acompanha a trajetória de Macambira, negro de presença imponente e grande prestígio entre os escravizados, cuja vida é atravessada por uma tragédia devastadora.

Quando descobre que sua mulher, Lúcia, morreu no parto após ter sido violentada por Julinho, filho do senhor da fazenda, Macambira vê seu mundo ruir. A dor, a humilhação e o sentimento de injustiça conduzem o personagem a uma espiral de fúria e acerto de contas, em uma história marcada pelo peso da opressão e pela força dramática de seus conflitos.

Com linguagem exuberante e forte carga descritiva, Coelho Netto transforma esse drama em uma obra intensa, que expõe as brutalidades do regime escravista e coloca no centro da narrativa um personagem movido pela perda, orgulho e desejo de reparação.

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

Encruzilhadas

Por Financiamentos

Exu caminha entre nós.

Está nas ruas, nas encruzilhadas urbanas, nos encontros inesperados e nas decisões que mudam destinos. Presença do movimento, da palavra e da transformação, Exu atravessa o cotidiano brasileiro carregando uma ancestralidade múltipla, viva e constantemente disputada.

Nesta antologia, os contos não buscam definir Exu a partir de uma única tradição, mas exploram suas manifestações – como força, entidade, princípio ou presença – em diálogo com o urbano, o sagrado, o social e o íntimo. Histórias que aproximam Exu da vida comum ao mesmo tempo em que confrontam os estigmas históricos lançados sobre as religiões de matriz africana.

Entre o ancestral e o contemporâneo, o profano e o espiritual, este livro é uma encruzilhada literária. Um espaço de escuta, respeito e imaginação, onde Exu se revela no movimento, na escolha e na palavra, porque toda história começa quando um caminho se abre.

 

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

Anatomia de um crime

Por Financiamentos

Anatomia de um crime: histórias que abalaram o mundo reúne contos baseados em casos reais que expõem o lado mais profundo e contraditório da natureza humana. Cada narrativa mergulha em acontecimentos que marcaram pessoas e épocas, revelando não apenas o crime, mas as zonas de sombra onde nascem medo, culpa, desejo e violência. O leitor é conduzido para além das manchetes, para o território incômodo onde a verdade raramente é simples.

As histórias exploram múltiplas perspectivas e convidam o leitor a enfrentar dilemas inevitáveis. Quem é a verdadeira vítima? Quem fala a verdade? Até onde alguém pode ser levado por desespero, ambição ou vingança? Humanos ou monstros? O julgamento é seu. Em cada conto, documentos, memórias e versões conflitantes compõem um mosaico que desafia certezas e coloca em xeque as fronteiras entre certo e errado.

Instigante e envolvente, esta antologia mostra que o crime não termina quando a polícia encerra um caso. Ele continua vivo em quem se lembra, em quem perdeu, em quem sobreviveu. Ao virar cada página, o leitor é convidado a encarar a pergunta mais perturbadora de todas: o que realmente nos separa daqueles que cruzam a linha?

 

Apoie esse projeto!

Compartilhe:

A vingança dos Mortos-Vivos

Por Financiamentos

Nem todos os mortos descansam em paz. Alguns partem carregando injustiças, segredos e dores que não foram resolvidas em vida, e é por isso que voltam.

Nesta antologia, os mortos não retornam por acaso. Algo os chama de volta: dor, injustiça, rancor ou aquilo que jamais foi dito em vida. Eles se erguem não para devorar o mundo, mas para cobrar o que lhes foi negado – verdade, justiça, paz.

A Vingança dos Mortos-Vivos reúne histórias nas quais o descanso eterno é violado e o silêncio dos túmulos dá lugar ao som de passos que não deveriam existir. Aqui, o sobrenatural não é uma epidemia, mas uma consequência. Não é um fim do mundo, é o acerto de contas dele.

Porque algumas histórias não terminam com a morte. Algumas só começam quando a primeira pá de terra cai.

Apoie esse projeto!

Compartilhe: