
Publicado originalmente em 1914, Rei Negro, de Coelho Netto, é um clássico da literatura brasileira que mergulha nas tensões da sociedade escravocrata para construir uma narrativa de paixão, violência, honra e vingança. Ambientado em uma fazenda do Vale do Paraíba, o romance acompanha a trajetória de Macambira, negro de presença imponente e grande prestígio entre os escravizados, cuja vida é atravessada por uma tragédia devastadora.
Quando descobre que sua mulher, Lúcia, morreu no parto após ter sido violentada por Julinho, filho do senhor da fazenda, Macambira vê seu mundo ruir. A dor, a humilhação e o sentimento de injustiça conduzem o personagem a uma espiral de fúria e acerto de contas, em uma história marcada pelo peso da opressão e pela força dramática de seus conflitos.
Com linguagem exuberante e forte carga descritiva, Coelho Netto transforma esse drama em uma obra intensa, que expõe as brutalidades do regime escravista e coloca no centro da narrativa um personagem movido pela perda, orgulho e desejo de reparação.






